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Doce Cafeína

Doce Cafeína

03
Ago22

Cansaços II

Cafeína

Nunca fui de viver um dia de cada vez. Gosto de me sentir definida, embora saiba que as coisas se alteram e modificam, ora porque a vida assim o quer, ora porque as coisas não sempre tão lineares.

Não coloco um peso nisto, nem se trata de ter tudo controlado. Acho que simplesmente preciso saber o que sou, para quem sou, onde estou e para onde vou. Ainda que as coisas corram de feição ou não, eu só preciso saber o que sou no meio do acontecimento.

Travo uma batalha há anos e começo a sentir cansaço a ponto de ter medo de ser injusta. Na verdade, quando existe um rompimento seja de amor ou de amizade ou lá que for e se tenta recomeçar, nada volta a ser igual. É o que sinto.

Sei que alguém precisa de mim e conta comigo mas o problema é perceber que ela não tem caminho por onde seguir porque não sabe dela, não sabe o que quer nem para onde vai. E deixa-se levar. E eu pergunto-me que faço aqui. Tento acreditar que tenho força para levar o barco junto com ela mas nem sequer sei se ela tem coragem de remar. E estou cansada. E não tenho tanta paciência. Porque já houve uma história, um afastamento e muitas desilusões.

Penso que, neste momento, a culpa é minha. Eu é que não me sinto confortavel com a situação e não decido sair de vez. Somos duas pessoas muito amigas e gostamos muito uma da outra mas às vezes isso não chega. Começa a tirar-me a paz e eu sinto que não tenho vontade de dar mais porque simplesmente houve partes de mim que apagaram e foram apagadas por ela.

Ela começa a sentir e assusta-me porque já nem sequer me importo. Sinto-me cansada do morno, do " é o que temos".

Tão isto, tão sem sabor, tão indefenido.

 

( Quero agradecer á equipa Sapo pelo meu destaque de ontem do post e rubrica Um café com Maribel 

muiro, mas muito obrigado  )

04
Jul22

Mudanças

Cafeína

A escola dos rapazes termina hoje com atividades da parte da manhã.

É o último dia deles naquela escola, pois mudámos de casa, de cidade, e irão pois continuar os estudos na escola aqui da zona. Eles parecem tranquilos e estarem de bem com a situação mas não deixou de me dar aquele friozinho na barriga quando os fui entregar, hoje. Eles acordaram animados e bem dispostos e com o seu espírito "siga para a frente" e isso deixa-me tranquila.

Sei também que a mudança foi feita na altura certa, pois mais tarde, iria ser menos fácil porque estão numa idade em que criar raízes é fundamental e os amiguinhos são tudo para eles.

Costumo ser otimista e considero ser boa no que toca a adaptações, procuro incentivar a ideia de" bora lá" ser felizes onde quer que a vida nos leve e espero que eles me sigam os passos.

São miúdos afoitos e de espirito aberto e livre, acredito que vão adaptar-se bem e ser muito felizes.

04
Abr22

Emoções

Cafeína

Desculpem a minha ausência por aqui mas tenho andado a tratar de mil e uma coisas e morto leões todos os dias.

Estou bem, apenas me sinto um pouco mais cansada.

Mas deixando tudo isso de lado, quero dizer-vos que tive com a minha mãe ontem e foi muito bom. Por motivos muito pessoais, a vida não nos permite estar junatas muitas vezes mas ontem ela veio visitar-me e para além de me achar magrinha deu-me uns abraços valentes e mostrou-se preocupada.

Estou numa fase de muitas mudanças e estava mesmo a precisar daquele colinho. Acho que passo muito tempo a mostrar-me forte e não devia.

Enfim... é a cafeína no auge das suas emoções. 

28
Dez21

Sobre 2021

Cafeína

Aprendi a chorar sem lágrimas, fui embora de uma amizade e descobri que nesse momento tive o maior ato de coragem e a maior prova de amor dada a mim mesma. Doeu-me horrores, causou-me danos emocionais.

Descobri que todo e qualquer tipo de relacionamento é muito mais complexo do que se possa imaginar e que a única pessoa que devemos colocar no pedestal somos nós mesmos. Aprendi a gerir as minhas angústias e desesperos e senti o quanto isso me impulsionou para um crescimento interior brutal.  Entendi que eu  e só eu serei sempre gentil o necessário para me acrescentar. Gosto muito da Cafeína de hoje e de todas as outras Cafeínas deixadas lá atrás.

Aprendi que o sofrimento, após o seu dano, nos permite voltar a sonhar e a reeencontrarmo-nos connosco mesmos, fiz planos, mudei de vida, comecei a poupar mais dinheiro, aconselhei os meus filhos como se fosse muito velhinha e olhei para o cafeína-men como aquele que está lá sempre.

Consegui o emprego que tanto queria, aprendi a não discutir mas, em vez disso, levantar a sobrancelha e olhar nos olhos para mostrar o meu desagrado. Tornei-me mais livre, mais idependente, mais próxima dos meus filhos e neste momento tenho projetos em mãos.

Em vez de um copo de vinho, bebo dois ou três, os que me apetecer desde que não me perca de mim, rio à mesa, não faço grandes fretes e se me chatearem muito levanto o dedo do meio. Por fim, e ao fim de tantos anos (tenho 37) aprendi que não conseguimos mudar ninguém nem meter nada na cabeça de quem quer que seja (palmas para mim que doeu mas cheguei lá  ) restando-nos sair da mesa de jogo e a saber sair de cena na hora certa.

Chorei de raiva, de dor, magoaram-me muito, exigiram de mim o que não conseguia dar mas libertei-me de tudo isso e olhei mais vezes para mim própria. Disse "amo-te" aos meus filhos vezes sem conta e dei-me ao luxo de me amar.

Não foi um ano fácil mas foi um bom ano 

 

16
Dez21

Mudanças

Cafeína

Uma pessoa que já me foi muito próxima disse-me com um ar triste, admirado e meio zangado: "Tu mudaste", estás distante.

E eu perguntei o porquê de toda a admiração, se eu fiz tudo aquilo que ela disse que eu deveria fazer, se foi esse alguém que um dia no alto da sua arrogância me disse que eu devia fazer isto e aquilo, não dar tanto valor a certas coisas nem preocupar-me tanto, que a vida é para se viver e nas entrelinhas até me mostrou que o que se diz hoje pode mudar amanhã.

Ok, eu mudei. E depois? Segui todos os passos que um dia ela me disse e agora? Não gostou do resultado? Pois é.

Sempre achei que temos que cuidar uns dos outros, que temos que ser éticos, pessoas não são objetos e a vida roda, pessoas mal resolvidas impulsionam a que o outro mude e depois quando dele se torna idependente não gosta.

" Sim mudei e agora diz-me, como é a nova versão daquilo que um dia desprezaste?

Chorou. Não tanto quanto um dia me fez chorar.

Lamento, mas não caibo mais aqui. Fui embora. Parti.

13
Dez21

Eu comigo

Cafeína

Trago em mim a sensação de que ainda falta muito tempo para o Natal. Não sei se por não querer que chegue ou por saber que é uma época que de alguma forma me fragiliza mais. Gosto muito do Natal, aliás eu tenho uma grande paixão por tudo o que envolve o Outono/Inverno. Estas estações do ano fazem-me encontrar comigo mesma e fazem-me também sentir mais feliz.

Nesta época do ano, tenho o hábito de me sentar comigo mesma e questionar se estou bem onde e como estou, em que posso melhorar e até mudar. Mais para frente falarei sobre este ano que quase finda para partilhar convosco algumas coisas.

Ontem à noite dei por mim a pensar " que ano!" e parece que o facto de estar no fim ainda não se fica por aqui, a cada dia aparecm decisões a tomar, compromissos a honrar e sinto o mundo a passar por mim sem que eu passe por ele, o que não é de todo mau, pois dá a sensação de fazer as coisas mesmo que "anestesiada" pela minha estranha calma.

Enfim, eu comigo, vou lidando, caminhando e vivendo.

25
Nov21

Não sei se fiz bem

Cafeína

O meu pintainho mais velho chegou triste a casa porque os meninos fizeram batota no jogo de futebol. Ouvi o seu desabafo com toda a atenção e ao fim de alguns minutos ele olhou para mim como quem esperava um feedback maternal sobre a situação.

Enquanto o ouvia, à minha mente vinha tudo o que vivi em criança e já em adulta, e consegui, naqueles breves minutos valorizar aquele desabafo, aparentemente pouco importante.

A dada altura, eu disse-lhe: "Filho, pensa assim: A vida é como esse jogo de futebol, nesse jogo tens os bons jogadores e os maus jogadores. As pessoas não mudam, terás que ser tu a mudar e a trabalhar a situação. Portanto, o conselho que te dou vai no sentido de te retirares do jogo sempre que as regras não forem de encontro com o que acreditas.

Assim será sempre na vida: Estamos todos em jogo mas se forem desonestos contigo terás sempre a liberdade de retirar da mesa. Então ainda que te apeteça muito jogar com esses meninos, se só servir para te irritares e ficares triste, sai de jogo"

Abraçou-me como se entendesse tudo. Isso preoucupou-me.

11
Nov21

37

Cafeína

Fiz 37 anos no dia 9 de Novembro.

Refleti sobre o meu caminho até aqui e pude experimentar várias emoções.

Já passei por umas coisitas que me permitem ser muito dona de mim e a priorizar-me. Certo dia, numa conversa entre amigos, alguém me perguntou se eu choro muito. Respondi-lhe que sim, que choro muito mas sem lágrimas. Aprendi a sangrar por dentro e em silêncio, porque das minhas dores só eu tenho que saber e aprender a lidar com elas. Tento ser uma pessoa positiva e alegrar-me com detalhes do dia-a-dia. Apesar da estrada turtuosa sei que sou uma previligiada e agradeço a Deus por isso.

Aprendi a educar emoções,disciplinar dores e a curar-me. Aprendi a filtrar confidências, a não me entregar em pleno ( o que me deixa triste) porque não somos todos iguais e nem sempre caminhamos em compassos igualmente ritmados.

Aprendi que se tiver que deixar cair uma lágrima em público está tudo bem. Aprendi, acima de tudo a aceitar-me e a amar-me.

A vida não é sempre fácil, mas estou contente comigo.

Que seja um ano feliz.

29
Out21

Cicatrizes

Cafeína

Diria que estou numa fase da vida em que a introspecção e tomada de deciões estão de mãos dadas. Planeio projectos de mudança que me poderão levar a uma libertação muito grande.

Aprendi que o silêncio é tão valioso como o alimento que nos dá suporte para continuar a viver. Por vezes, custa-me pensar no quanto as coisas mudaram. Mas sei que o mundo pulsa e que a vida está em constante mudança e embora eu defenda que a vida tem as suas páginas escritas, defendo também que muitos resultados têm a ver com o jeito que nós lhe damos.

 Assim podemos comparar a vida a um jogo, em que, ao descobrir o batoteiro nos faz retirar da mesa. Ninguém tem que ser a bengala de ninguém e muito menos não sentir que papel desempenha na vida de determinada pessoa. Certa vez disseram-me que isto de ser demasiado emocional é extremamente lixado mas que crescemos e amadurecemos muito mais. Acredito e sinto que sim. Todos sabemos que fechar portas dói, dói muito mas que é necessário para o nosso bem estar mental e emocional.

Avizinham-se cicatrizes.

11
Ago21

A criança de cada um

Cafeína

Um dia, estava em conversa com a minha formadora/mestre. Conversávamos sobre o propósito de vida de cada pessoa e a importância de descobrir e fazer dar frutos esse mesmo propósito. Vimos dotados de muitos dons mas há sempre algo que se evidencia mais em cada pessoa.

Fizemos uma reflexão e uma partilha sobre o mistério que é a vida, saber viver, apercebemo-nos que há algo que nos impulsiona, que é fundamental ter a noção daquilo que são também as nossas fragilidades. Creio que estavámos a falar da importância do auto-conhecimento.

A determinada altura ela falou da nossa criança interior, daquela criança que nós fomos um dia e que, muitas vezes, edifica sonhos, medos, ambições, traços da nossa personalidade em adultos. Mandou-nos então fazer um exercício, pediu-nos que fossemos ao encontro da nossa criança mas não daquela que os nossos pais quiseram que nós fossemos, não daquela que involuntáriamente foi "esculpida" pelos gostos dos pais e família, mas sim da verdadeira criança que nós fomos.

Isto deu-me muito que pensar e percebi que desde o ventre materno somos levados a ser modelos starndard, da família, da sociedade, do mundo, enfim...dos outros. E é ciclico, e não pára, é cómodo, é assim porque sim mas é tão injusto, tão negligente, tão doloroso.

E vocês, que pensam disto?

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