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Doce Cafeína

Doce Cafeína

25
Nov21

Não sei se fiz bem

Cafeína

O meu pintainho mais velho chegou triste a casa porque os meninos fizeram batota no jogo de futebol. Ouvi o seu desabafo com toda a atenção e ao fim de alguns minutos ele olhou para mim como quem esperava um feedback maternal sobre a situação.

Enquanto o ouvia, à minha mente vinha tudo o que vivi em criança e já em adulta, e consegui, naqueles breves minutos valorizar aquele desabafo, aparentemente pouco importante.

A dada altura, eu disse-lhe: "Filho, pensa assim: A vida é como esse jogo de futebol, nesse jogo tens os bons jogadores e os maus jogadores. As pessoas não mudam, terás que ser tu a mudar e a trabalhar a situação. Portanto, o conselho que te dou vai no sentido de te retirares do jogo sempre que as regras não forem de encontro com o que acreditas.

Assim será sempre na vida: Estamos todos em jogo mas se forem desonestos contigo terás sempre a liberdade de retirar da mesa. Então ainda que te apeteça muito jogar com esses meninos, se só servir para te irritares e ficares triste, sai de jogo"

Abraçou-me como se entendesse tudo. Isso preoucupou-me.

11
Nov21

37

Cafeína

Fiz 37 anos no dia 9 de Novembro.

Refleti sobre o meu caminho até aqui e pude experimentar várias emoções.

Já passei por umas coisitas que me permitem ser muito dona de mim e a priorizar-me. Certo dia, numa conversa entre amigos, alguém me perguntou se eu choro muito. Respondi-lhe que sim, que choro muito mas sem lágrimas. Aprendi a sangrar por dentro e em silêncio, porque das minhas dores só eu tenho que saber e aprender a lidar com elas. Tento ser uma pessoa positiva e alegrar-me com detalhes do dia-a-dia. Apesar da estrada turtuosa sei que sou uma previligiada e agradeço a Deus por isso.

Aprendi a educar emoções,disciplinar dores e a curar-me. Aprendi a filtrar confidências, a não me entregar em pleno ( o que me deixa triste) porque não somos todos iguais e nem sempre caminhamos em compassos igualmente ritmados.

Aprendi que se tiver que deixar cair uma lágrima em público está tudo bem. Aprendi, acima de tudo a aceitar-me e a amar-me.

A vida não é sempre fácil, mas estou contente comigo.

Que seja um ano feliz.

29
Out21

Cicatrizes

Cafeína

Diria que estou numa fase da vida em que a introspecção e tomada de deciões estão de mãos dadas. Planeio projectos de mudança que me poderão levar a uma libertação muito grande.

Aprendi que o silêncio é tão valioso como o alimento que nos dá suporte para continuar a viver. Por vezes, custa-me pensar no quanto as coisas mudaram. Mas sei que o mundo pulsa e que a vida está em constante mudança e embora eu defenda que a vida tem as suas páginas escritas, defendo também que muitos resultados têm a ver com o jeito que nós lhe damos.

 Assim podemos comparar a vida a um jogo, em que, ao descobrir o batoteiro nos faz retirar da mesa. Ninguém tem que ser a bengala de ninguém e muito menos não sentir que papel desempenha na vida de determinada pessoa. Certa vez disseram-me que isto de ser demasiado emocional é extremamente lixado mas que crescemos e amadurecemos muito mais. Acredito e sinto que sim. Todos sabemos que fechar portas dói, dói muito mas que é necessário para o nosso bem estar mental e emocional.

Avizinham-se cicatrizes.

11
Ago21

A criança de cada um

Cafeína

Um dia, estava em conversa com a minha formadora/mestre. Conversávamos sobre o propósito de vida de cada pessoa e a importância de descobrir e fazer dar frutos esse mesmo propósito. Vimos dotados de muitos dons mas há sempre algo que se evidencia mais em cada pessoa.

Fizemos uma reflexão e uma partilha sobre o mistério que é a vida, saber viver, apercebemo-nos que há algo que nos impulsiona, que é fundamental ter a noção daquilo que são também as nossas fragilidades. Creio que estavámos a falar da importância do auto-conhecimento.

A determinada altura ela falou da nossa criança interior, daquela criança que nós fomos um dia e que, muitas vezes, edifica sonhos, medos, ambições, traços da nossa personalidade em adultos. Mandou-nos então fazer um exercício, pediu-nos que fossemos ao encontro da nossa criança mas não daquela que os nossos pais quiseram que nós fossemos, não daquela que involuntáriamente foi "esculpida" pelos gostos dos pais e família, mas sim da verdadeira criança que nós fomos.

Isto deu-me muito que pensar e percebi que desde o ventre materno somos levados a ser modelos starndard, da família, da sociedade, do mundo, enfim...dos outros. E é ciclico, e não pára, é cómodo, é assim porque sim mas é tão injusto, tão negligente, tão doloroso.

E vocês, que pensam disto?

10
Ago21

Feridas

Cafeína

Certa vez, em conversa com uma amiga, disse-lhe que comparo certas feridas da alma a uma situação que vivi:

Fiz o caminho a pé até Fátima por quatro anos consecutivos. Recordo que no primeiro ano fiz imensas bolhas nos pés, que eram diáriamente cosidas com uma linha e agulha por uma senhora muito doce que integrava no grupo de peregrinos. Seriam seis dias a caminhar. No terceiro dia, as dores eram tantas que tive receio de não conseguir e ter que desistir mas a minha força de vontade em chegar era muita que com o passar do tempo eu nem sentia mais as dores de tanta dor que eu tinha. E consegui chegar a Fátima. 

Certas feridas da alma são assim. Doem tanto que de tanto mexer acabam por nao doer mais.

09
Ago21

Sobre a vida

Cafeína

O Universo traz-nos e leva-nos pessoas.

Certas pessoas quando nos são retiradas não damos logo conta. No entanto, há outras que fazem um estrago incrivel ao nos serem retiradas.

A vida tem este mistério: O mundo pulsa, não pára enquanto se está destroçado e impulsiona-nos a seguir com mais ou menos forças. Não é fácil manter sempre a cabeça á tona de água enquanto somos tentados a afogar-nos num turbilhão de emoções que nos assola. Sempre achei que a intensidade das emoções tem o seu lado bom mas também tem todo um lado bem dramático. Somos todos crianças grandes, com choros e emoções escondidas, incompreendidas e quase a roçar no não-suportável. Uma vez disseram-me que o reerguer dói e que é nessa dor que se cresce e posso confirmar que sim, aliás, creio pois, que todos já o podemos confirmar mas na minha opinião ficam cicatrizes permanentes de choros solitários, de abraços cortados, sentimentos não tidos em conta e arrependimentos infundados e extemporaneos.

Hoje acordei a reflectir sobre isto, sabe-se lá o que está para vir.

29
Jul21

O pedido

Cafeína

Sou mãe de dois meninos.

Costumo falar com eles de tudo um pouco e tento despertá-los para as coisas importantes e que eu acho serem fundamentais para o futuro. Não costumo usar muitos filtros nem camuflar a realidade. Tento explicar-lhes de uma forma serena e mais leve que a vida, as pessoas, os acontecimentos e o mundo em si nem sempre são ou nos dão o que gostaríamos.

As partilhas de final de dia, ainda andam muito em volta "dos amiguinhos que disseram, fizeram, bateram". Tento estar atenta e fazê-los entender que já passei por aquilo e que não desvalorizo o que me relatam mas, tento também, que eles resolvam as suas situações e ganhem assim a autonomia adequada para a idade.

Ontem, no final do dia, o mais velho, que não chegou ainda aos dez aninhos, procurou-me pela casa e ao olhar para mim fitou os olhos e disse: " quero ir comer um gelado contigo, sentados os dois num banco de jardim. Mas só tu e eu. Achas que pode ser?"

Permaneci um pouco em silêncio, percebi o quanto aquilo será importante para ele e prometi  ir com ele comer o gelado.

Este momento fez-me cair a ficha e sentir no meu coração que ele está a crescer, que ele sente a falta da cumplicidade a sós e que aquele pedido tão simples, para ele terá um valor imenso.

 

 

22
Jul21

Silêncios

Cafeína

Sou uma pessoa que precisa de muitos momentos de silêncio e muitas são as vezes que faço parar o tempo para me encontrar comigo mesma, junto do mar.

E confesso que os meus parâmetros interiores não são todos de acordo com os parâmetros estipulados pela sociedade. Sinto que sou a ovelha negra de um rebanho enorme. 

E hoje estou aqui para partilhar algo que tenho sentido com frequência nestes ultimos tempos: a necessidade em deixar ir.

Ainda me separam uns poucos anos dos meus 40 anos mas sinto uma necessidade enorme de me manter equilibrada com o meu Eu Superior e com o Universo. Talvez seja comum a todas as pessoas mas... eu sinto que me faz falta começar a deixar ir e até sair de cena. Deixar a ir a dor, a mágoa, aquela pessoa que não chove nem molha seja em que medida for. Porque tudo o que não nos acrescenta e nos força a querer manter faz peso e é necessário simplesmente deixar ir. 

Dou por mim a ouvir longos desabafos disto e daquilo e permanecer em silêncio sobre todos eles, não porque não saiba o que falar mas porque me desgasta e o silêncio nunca me deixa mal. E eu prefiro retirar-me sabendo que estou em paz e que nada me aborrece ou estraga o dia. 

Sinto necessidade da prática do desapego. Sinto necessidade de paz. A palavra é essa mesmo: Paz. 

Não se chega a esta conclusão de um dia para o outro, chega-se a esta conclusão quando a determinada altura do caminho se observa a sola dos nossos sapatos e já só vimos os pés, porque a sola, essa já foi. Gastou-se.

Então decidi sentar-me e olhar para dentro de mim e agora não me apetece forçar nada, manter nada, ir atrás de nada. 

Estou a descansar à beira da estrada e a estudar as minunciosidades do meu caminho. Preciso saber que terras irei pisar para comprar um novo par de sapatos.

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